Mp3Raid music code
Julho 3, 2009 · Deixe um comentário
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Reflexões do momento…
Setembro 19, 2008 · Deixe um comentário
Ela precisava escrever. Digitar cada palavra com sofreguidão, impondo um ritmo característico. Movimentos ávidos a cada nova linha que era entregue ao fundo branco desenhado no monitor de cores frias e sem graça.
Numa metamorfose digna de Kafka todos se transformaram então em peixes, cardumes inteiros a dançar no fundo do mar: pra lá e pra cá, para lá e para cá incessantemente.
“Até quando seremos assim?” Perguntava-se, enquanto buscava outras palavras que coubessem ali naquele espaço. Palavras que falassem de um amor como tantos outros amores. De fato, pensou ela, o grande amor da vida da gente é aquele que não se realiza. É o que vive dos “se’s”: Se estivessemos juntos; se eu tivesse ido atrás, se ele tivesse me dito o quanto gostava, se nos sobrasse coragem para lutar por este ou aquele amor.
Caminhos opostos, vidas interligadas ainda assim.
Olhou pela janela e viu um carro passar ao longe, dezessete andares abaixo, enquanto uma brisa invadia a sala onde ela estava.
Continuou a digitar: “Tais como grandes cardumes, nadando na mesma direção, a sociedade não se transforma, não se nota, trilham sempre os mesmos caminhos.”. Ela lembrou então do cobrador de ônibus, o mesmo cobrador desde que começara a trabalhar, sempre o encontrava, sempre trocavam olhares, mas nunca trocaram um “bom dia”. Mas será que a sociedade trilha mesmo o mesmo caminho? E que caminho é esse? O rastro de quem ela estava seguindo? Ela não sabia a resposta. Sabia-se apenas angustiada com tantas perguntas, com tantas injustiças.
Sentiu-se sufocada ao se dar conta das coisas que não sabia.Ela não queria ser apenas mais uma entre tantas, mas não sabia como fazer a diferença…
Teve, então, vontade de cantar. Lembrou-se de Zeca Baleiro: “…mandar flores ao delegado… beijar o português da padaria…” não, ela não lembrava da letra, mas lembrava de fragmentos.
Resolveu levantar, sair e mudar seu caminho. Largou as palavras incompletas na tela…
Ligue Priscila Souza no Goiabas Verdes Fritas.
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Etiquetado: escrever
_____________(espaço), por Carol Patrocínio
Setembro 10, 2008 · Deixe um comentário
Liga.
Olho ao redor e não consigo entender bem o que acontece, o calor me deixa tonta, vejo fumaça saindo do asfalto e parece que tudo vai derreter, tudo vai se transformar numa coisa só.
Desliga.
Nada se transformou, só a sensação de calor, que agora é um frio intenso, como se as pessoas se congelassem e os prédios fossem estacas de gelo, prontas para espetar nossas feridas que estão quase curadas.
Liga.
As pessoas se esbarram, seus corpos se tocam e trocam fluidos, suor, fios de cabelo; mas seus olhos… esses nunca se cruzam, nunca permitem que ninguém entre. Os olhos de cada uma delas, que por alguns instantes fizeram parte da minha vida, apenas gritam. Todos eles gritam a mesma coisa.
Desliga.
Aqui ninguém entra, não há mais espaço. As preocupações, os sonhos, os fracassos, os sucessos, ideias, pensamentos. O dia, a noite, as crianças, os amigos, o trabalho, os estudos. Aqui ninguém entra.
Liga. Desliga.
Alguém ainda vive aqui?
Desligue Carol no Cinzeiro Cheio.
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Etiquetado: Desliga, Liga
Por Débora Costa e Silva
Setembro 5, 2008 · Deixe um comentário
Desligue os holofotes
Acende o abajur de dentro
Observe teu estômago
Passeie pelo intestino
Flutue no pulmão
Afunde nos neurônios
Pula-pula no coração
Gira-gira pelos olhos
Escorrega nas veias
Mergulhe no sangue
Se esparrame pela língua
Esmaga os músculos
E morda os ossos
Deixe de lado as unhas
Desprenda as mechas
Descanse os lábios
Relaxe os cílios
Água fria nos poros
Se cale
Acione os ouvidos
Se abandone
E no vazio, se encontre
Ligue Débora no Vagamundo Vago.
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Etiquetado: Desligue
Redundância, por Juliana Kataoka
Setembro 4, 2008 · Deixe um comentário
Redundância
Gritarias de deixa para depois.
Insultos em SAP.
Áudio original em língua morta.
Compreensão de gentilezas que não se tocam.
Não se entendem.
Dão de costas.
Abraçam a si mesmas com benevolência.
Solidariedade.
Solidão?
Amor de corações que batem em Stand-By.
Qual dos dois ousa a apertar o Power?
Quem se arrisca a arrancar a tomada?
-Primeiro você.
-As mulheres na frente.
Desligue Juliana Kataoka.
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Etiquetado: Redundância
Micro-Conto, por Priscila Nicolielo
Setembro 3, 2008 · Deixe um comentário
A mãe conta sobre os exames que fez. A filha lê fofocas na internet. “Mãe, preciso desligar.”
Ligue Priscila Nicolielo.
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Etiquetado: desligar
O fazer morrer, por Obede Júnior
Agosto 29, 2008 · Deixe um comentário
O choro é o primeiro ato. Único e ímpar. Vai ver é porque morrer é triste. Ou deveria ser.
O que não se entende é que a primeira coisa que fazemos ao nascer é chorar por começarmos a morrer.
Pois tudo é morte, tudo é fazer morrer. Mesmo que aos pouquinhos, em partes cruéis, dias monótonos de tão saudáveis.
Não se engane, você está morrendo. Pode ser hoje, amanhã, daqui 50 anos. Mas você está morrendo.
Aí você chora quando nasce, grita, esperneia mesmo, e te dão um tapa no pequeno traseiro: “Ótimo, mal comecei a morrer e já estão me dando uma forcinha!”
Passa um tempo e você cresce, e está morrendo. O fazer morrer é incessante. Ou melhor, só acaba quando termina.
Eu questiono a vida, por ela é toda morte. Não importa se você está tomando banho, está em uma festa, ou apanhando de brigões na rua, todos estão morrendo do mesmo jeito. Então para que dar nota ao viver?
Porque viver é bom, apesar de ser morrer. O viver deveria ser o sair do útero de sua mãe. Aquele preciso ato, pois depois é só morte. Mórbido, eu sei. Mas tudo é mórbidez. Enquanto digito esse texto sinto-me morrer, um pouquinho a cada letra… a cada ponto.. é meio loucura pensar nisso, pois até quando paro de teclar para pensar na próxima palavra eu estou morrendo. Eu não paro de morrer! Deve ser uma doença.
Pronto, vou morrer de tanto viver.
Desligue Obede Júnior.
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Etiquetado: Morrer
Por Elisabete Ferreira
Agosto 6, 2008 · Deixe um comentário
O problema é quando nosso às vezes vira sempre.
Quando às vezes mal humor, vira intolerância com o outro.
Quando às vezes estar só, vira solidão.
Quando às vezes não gostar, vira ódio.
O problema é quando todas às vezes multiplicamos o que não nos faz bem e nem sabemos que estamos fazendo isso.
O problema é que não enxergamos o às vezes sorriso virar gargalhada.
Os às vezes obrigada virar amizade.
O às vezes paixão virar amor.
O problema é que não aproveitamos as poucas vezes que temos para construir verdadeiramente.
Apenas empilhamos os panos.
Crescemos a casa.
Construímos os dias.
Mas não vivemos histórias.
O problema é não saber que às vezes pode ser sempre.
Ligue Elizabete Ferreira no Apenas Diga.
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Etiquetado: às vezes
A gente liga e desliga?
Julho 14, 2008 · Deixe um comentário
Às vezes parece que a gente vive por viver. Olhamos em volta e observamos o mundo, mas mesmo que ele não nos agrade, aceitamos assim mesmo. Entramos em filas sem nem sabermos o por quê. Seguimos por caminhos que nem sabemos onde nos levarão. Esbarramos em pessoas e nem perdemos tempo em trocar algumas palavras.
Somos rudes, mas exigimos respeito. Ignoramos a dor do outro, mas quando a mesma situação se repete com a gente, nos indignamos. Uma vez me disseram que os jovens vivem no piloto automático, será que a humanidade inteira não faz isso também?
“- Desculpe.
- Desculpe.
Ei, podemos começar isso de novo? Sei que não nos conhecemos, mas eu não quero ser uma formiga.
Passamos pela vida esbarrando uns nos outros…
sempre no piloto automático, como formigas…
não sendo solicitados a fazer nada de verdadeiramente humano.
Pare. Siga. Ande aqui. Dirija ali.
Toda comunicação servindo para manter ativa a colônia de formigas…
de um modo eficiente e civilizado.
“O seu troco.” “Papel ou plástico?”
“Crédito ou débito?”
“Aceita ketchup?”
Não quero um canudo. Quero momentos humanos verdadeiros.
Quero ver você.
Quero que você me veja.
Não quero abrir mão disso.
Não quero ser uma formiga, entende?
Sim, não…
- Eu também não quero ser uma formiga.
Obrigado pela sacudida.
Tenho andado feito um zumbi…no piloto automático. Não me sinto como uma formiga, mas pareço uma.
D.H. Lawrence teve a idéia de duas pessoas se encontrarem…
e, ao invés de apenas passarem…
aceitarem “o confronto entre suas almas”.
É como libertar os deuses corajosos e inconseqüentes que nos habitam.
-Parece que já nos encontramos.” (Diálogo extraído do filme Waking Life, de Richard Linklater, 2001)
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Etiquetado: formiga, piloto automático, Richard Linklater, Waking Life







